Ela Fez O Que Pôde

“Ela fez o que pôde. Derramou o perfume em meu corpo antecipadamente, preparando-o para o sepultamento. Eu lhes asseguro que onde quer que o evangelho for anunciado, em todo o mundo, também o que ela fez será contado em sua memória.” Marcos 14:8-9

Há algum tempo venho meditando nessas palavras. Ouvi um sermão sobre estes versículos pela primeira vez há pouco tempo, em minha igreja. A expressão “ela fez o que pôde” ficou gravada em minha mente e coração, me consolando e confrontando.

Vivemos em uma sociedade depravada, essencialmente materialista e egoísta. Não raramente, vemos imagens e filmagens de pessoas saqueando a carga de caminhões tombados, e o pico de anarquia que dominou o Estado do Espírito Santo neste ano demonstra que, sob os termos de “liberdade plena” (isso o homem natural, não regenerado), o ser humano consegue se tornar um animal irracional, tal como Hobbes o dissera, contrário ao zoon politikón (“animal político”) de Aristóteles.

Esta depravação, manifestada através do egoísmo já citado, abarca as relações entre as pessoas, e dessas com Deus. Somos educados a fazer apenas aquilo que pode nos privilegiar, aquilo que é capaz de nos dar algum benefício, mesmo que seja em detrimento de outras pessoas. Infelizmente isso faz parte de nossa cultura, resultado de uma sociedade caída e mergulhada no pecado.

Nos dois versículos expostos acima, constantes no evangelho de Marcos, vemos precisamente o oposto ao que dito, ainda que os demais versos deem embasamento para a argumentação apresentada, já que era do intuito de Judas vender aquele óleo e ficar com o dinheiro para si (Jo 12.4-6), mesmo que usando os pobres como desculpa para acobertar este desejo.

Maria, ao contrário, tomou o que tinha, algo que lhe custou caro, e derramou sobre Cristo, como um prelúdio do que estava por vir ao Mestre. Ela fez o que pôde, adorando ao Senhor e se prostrando ante a necessidade de Sua morte. Usou o que tinha em suas mãos, e com isso nos deixou lições a serem aprendidas.

Desejo expor quatro tópicos sobre este assunto, que creio serem necessários.

Não fique aquém

Fazer aquilo que pode significa agir com o que você tem em mãos, entendendo que há uma meta a ser alcançada. Ficar aquém daquilo que pode ser feito, ou seja, abaixo das expectativas, é o mesmo que entender a grande tarefa que tem pela frente, mas ignorar tal significado ao não valorizá-la como deve.

Ou, então, mesmo entendendo o que deve ser feito, é também a falta de preparo para isso. Como exemplo, creio que posso citar seguramente o rei Davi. No livro de 1 Crônicas, no capítulo 13, nos é narrada a história de quando o monarca decide, em conjunto com o povo, trazer a Arca da Aliança para o meio do povo de Deus.

Para fazê-lo, entretanto, manda construir um carro de bois. Carro novo, nunca utilizado, e de certa forma dotado de uma carga emocional e simbólica para o rei. Porém, ainda assim, o projeto não fora aprovado pelo Senhor. Por quê? A resposta é encontrada dois capítulos depois, quando Davi entende que a Arca só poderia ser carregada pelos descendentes da tribo de Levi (1Cr 15.2).

Ainda, outro exemplo a ser citado é o de Nadabe e Abiú, filhos de Arão. Encontramos sua história no livro de Levítico, capítulo 10. A história nos conta que estes dois homens introduziram “fogo estranho”, ou “fogo profano”, no culto ao Senhor. Ficaram aquém daquilo que lhes era cobrado.

O que, afinal, faz com que esses dois exemplos possam ser utilizados aqui? A resposta, confesso, me parece simples: em ambos os casos o que se requeria dos envolvidos era apenas uma coisa: observância da Lei do Senhor. Porém, ao não fazê-lo, acabaram por ficar aquém daquilo que lhes era esperado.

Não vá além

Da mesma maneira que podemos, infelizmente, ficar aquém do esperado e desejado para nós, é verdadeira a afirmação de que também é possível ir além do que nos requisitado.

Querido leitor, espero que você não confunda este tópico com “pró-atividade”, mas que entenda minhas palavras como um alerta para que você não faça aquilo que não foi chamado a fazer.

É ótimo, louvável e saudável quando desejamos fazer mais para nosso Senhor, porém, devemos ter a consciência de que há coisas das quais não conseguiremos participar ou realizar, haja vista o ministério específico que pelo Mestre nos foi proposto.

Ora, é precisamente isso que Paulo demonstra aos de Corinto quando escreve sua primeira carta, no capítulo 12, a partir do versículo 11 e até o final do capítulo. Segundo o apóstolo, e cremos que inspirado pelo Santo Espírito, “o corpo não é composto de um só membro, mas de muitos” (v. 14), e, ainda, que os dons e ministérios são distribuídos pelo Espírito a cada um, conforme a vontade dEle (v. 11).

Quando não compreendemos que o Senhor tem chamados diferentes para pessoas díspares, ministérios específicos para determinados momentos e povos, agimos como o rei Saul, e por insensatez tomamos atitudes contrárias à Palavra do Pai. Tal como Nadabe, Abiú e Davi, o primeiro rei de Israel comete um erro grosseiro: não observa os mandamentos do Senhor.

A bíblia demonstra que, tomado pela impaciência, o rei toma as rédeas do culto ao Senhor e, usurpando uma função que não era sua, oferece sacrifício ao Criador. Saul foi duramente repreendido pelo profeta Samuel e teve a ruína de seu trono decretada (1 Sm 13.9-14).

Faça o que pode

Observe o que você tem nas mãos. Entenda o que o Senhor lhe comandou fazer. Veja aquilo que lhe é entregue pelo Pai, para trabalhar nos campos já brancos e

prontos para a cega.

“Fazer o que pode” implica necessariamente em observar os mandamentos do Pai, visto que eles nos servem como luz para a caminhada (Sl 119.105), e obedecê-los (Sl 119.11). Essa é a regra fundamental para todo aquele que deseja seguir a Cristo e entregar-Lhe culto ou louvor: deve-se viver atento à Palavra de Deus.

Infelizmente muitos de nossos irmãos se perdem precisamente neste ponto, pois tem “as armas nas mãos”, mas carecem de entendimento bíblico para utilizá-las. O Senhor dota seus filhos de sabedoria, inteligência, criatividade e outras tão marcantes características, mas esses acabam não colocando tais atributos aos pés da cruz de Cristo, e não utilizam os dons dados pelo Pai da maneira correta.

A pergunta de Deus a Moisés, no Egito, ecoa aos nossos corações nos dias atuais: “o que tens na mão?”. O líder de Israel tinha na época uma vara, e a utilizou conforme determinou o Senhor. Maria tinha um vaso de alabastro com um perfume caríssimo dentro, de nardo puro (Mc 14.3), e quebrou este precioso óleo aos pés de Cristo. E você, que tem em mãos? Faça o que pode usando sua profissão, usando seus conhecimentos “seculares”, sua mente e corpo.

Faça para glória de Deus

Por fim, creio que o mais importante: independente do que você fizer, faça para glória de Deus. Eis aí uma verdade que não consigo deixar de citar ou expor sempre que vejo ser necessário. Paulo deixa-a muito clara em 1Co 10.31,

“Portanto, quer comais quer bebais ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus.” 1 Co 10.31

E, ainda, o Breve Catecismo de Westminster, em sua primeira pergunta, indaga, para logo responder:

“PERGUNTA 1. Qual é o fim principal do homem?

RESPOSTA. O fim principal do homem é glorificar a Deus, e gozá-lo para sempre.

Referências: Rm 11.36; 1Co 10.31; Sl 73.25-26; Is 43.7; Rm 14.7-8; Ef 1.5-6; Is 60.21; 61.3”

Tudo o que fazemos deve visar a glória de Deus, posto que Ele é o Soberano Criador de todas as coisas, Rei eterno e transcendente. Que façamos sempre nosso melhor, entregando ao Pai um culto, através de nossas vidas e atitudes, digno de adoração e louvor.

Sob a Graça,

Daniel Rodrigues Kinchescki

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Olhando Para Jesus

“Olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus”. Hebreus 12.2

Quando um jovem faz 18 anos de idade surge nele um novo desejo: obter sua habilitação como motorista. Depois de preenchida a papelada e concluídas as aulas teóricas, vem o tão esperado momento de entrar no carro, girar as chaves e acelerar. Neste momento, entretanto, o professor lhe dá algumas instruções: “ponha o cinto de segurança”, “olhe os retrovisores”, “preste atenção à frente”, “olhe para um referencial”.

Não sei se você já navegou, leitor, mas sei ser uma experiência e tanto. Entretanto, independente do tamanho da embarcação, desde “bateiras” a cruzeiros, algumas pessoas sofrem de enjoos terríveis, que lhes incomodam a viagem inteira. Nestes momentos é comum alguém dizer “foque os olhos no horizonte”, “olhe lá para frente”.

Sei que parece um conjunto de exemplos sem sentido ou nexo, mas em ambos meu desejo é de tratar sobre um tema específico: a necessidade de termos um alvo, uma direção, um ponto referencial.

Como já citei, esta necessidade é bem clara em nosso dia a dia, em nossas labutas diárias e cotidiano. Porém, tal qual na vida a “nível horizontal”, quando tratamos das “coisas do céu”, o “nível vertical”, essa premissa também é presente. Em primeiro lugar, porque esta dicotomia que citei serve apenas para fins “didáticos”. Nosso cristianismo não deve ser resumido apenas a uma busca etérea pelo céu ou vida futura ao lado do Pai, mas sim algo presente em todas as nossas atitudes e pensamentos. Em segundo lugar, porque nossa caminhada precisa ter um foco.

Para isso, gostaria de citar mais dois exemplos, que creio serem suficientes para demonstrar meu pensamento sobre os perigos de tirarmos os olhos de nosso Foco. Trago, então, Asafe e Pedro.

Quando Asafe olha para o ímpio

Se voltarmos nossa atenção ao saltério, em especial para o Salmo 73, veremos uma declaração perturbadora de Asafe: ele olha para o ímpio, para sua prosperidade, e sente inveja. E quem, sob a ótica do salmista, não teria este sentimento?

Como lemos nos versos iniciais, o ímpio não passa pelo sofrimento, não vê a dor, seu corpo é forte e vigoroso. Despreocupados, olham para suas riquezas que não deixam de crescer e até de Deus zombam, indagando se há como o Senhor lhes observar e ver.

Asafe vê isso, sente o desespero no âmago da sua alma quando indaga ao Pai sobre o próprio sofrimento. “Todas as manhãs sou castigado”, afirma o salmista, “foi-me inútil manter puro o coração e lavar as mãos na inocência”, diz em outro verso. Logo no começo do salmo nós vemos o que esta mudança de foco causou no salmista:

“Quanto a mim, os meus pés quase tropeçaram; por pouco não escorreguei”. Sl 73.2

Quando Asafe tira os olhos do Senhor e olha para a aparente vida tranquila daqueles que blasfemam contra Deus e vivem de maneira contrária à Lei do Criador, seus pés quase tropeçam. Ele quase abandona a fé. Entretanto, em meio a este desespero todo, o salmista consegue voltar sua atenção ao Todo Poderoso e nEle encontrar socorro. É precisamente o que nos narra no verso 17, “até que entrei no santuário de Deus, e então compreendi o destino dos ímpios”.

Ao voltar o foco de seus olhos ao Criador, aí então seus pés são firmados na Rocha, sua fé é fortalecida, e sua certeza na providência divina é restabelecida. Sem medo, o salmista afirma que quando sentiu inveja dos ímpios, agiu como um animal: irracional, insensato, ignorante. Ele vê o fim do ímpio: a eternidade em sofrimento. Também, vê a Graça alcançando o justo: a eternidade ao lado do Pai. Do que adianta uma vida terrena cercada por riquezas, bens e prosperidade, mas longe do Criador, se o que de fato importa estará perdido?

A clareza de seus pensamentos é demonstrada em um versículo especial, o de número 25, quando ele afirma que no céu tem apenas a Deus. E, se na verdade O tem nos céus, o que mais poderia desejar na terra? “Deus é tudo o que preciso”, declara.

Quando Pedro cai sobre as águas

Sobre Pedro, desejo tratar de uma passagem muito conhecida. Encontramos estes versículos no evangelho segundo escreveu Mateus, no capítulo 14.

“Jesus, porém, lhes falou logo, dizendo: Tende bom ânimo, sou eu, não temais. E respondeu-lhe Pedro, e disse: Senhor, se és tu, manda-me ir ter contigo por cima das águas. E ele disse: Vem. E Pedro, descendo do barco, andou sobre as águas para ir ter com Jesus. Mas, sentindo o vento forte, teve medo; e, começando a ir para o fundo, clamou, dizendo: Senhor, salva-me! E logo Jesus, estendendo a mão, segurou-o, e disse-lhe: Homem de pouca fé, por que duvidaste?” Mt 14.27-31

Neste episódio encontramos Cristo andando sobre as águas. Nosso Senhor tinha acabado de alimentar uma multidão, multiplicando peixes e pães, e retirando-se à parte decidiu orar. Para isso, mandou que seus discípulos fossem à frente.

Dado momento, durante a madrugada, com o barco em alto mar, uma tempestade lhes aflige, as ondas balançam a embarcação e o vento lhe açoita a paz. Cercados pelo desespero, veem o que lhes parece ser um fantasma. Cristo, então, ouvindo os gritos de seus discípulos e vendo sua fé ser tomada pelo medo, lhes tranquiliza identificando-Se. É neste momento em que Pedro fixa seu foco no Senhor. No Salvador.

Sob o mandar de Jesus, Pedro salta do barco ao mar e, ao inveś de nadar, ele caminha. Milagre! Apenas o poder sobrenatural do Criador é capaz de permitir algo como isso. No decorrer de sua caminhada aos braços de Jesus, entretanto, Pedro perde o foco. A Palavra nos conta que o apóstolo sente o vento forte e teme. Este temor afasta seus olhos, sua fé, do Foco. Ele começa a afundar. No estopim do desespero, clama por Cristo e pelo Senhor é salvo. Em meio ao pavor de morrer, o discípulo lembra de quem É o seu referencial.

E quanto a nós?

Usei quatro exemplos neste texto para tentar demonstrar que sentimos a necessidade de ter um foco para nossas vidas. E, tal como nos dois último que utilizei, o nosso foco é o mesmo: o Senhor. No versículo de abertura deste texto o autor de Hebreus deixa claro quem deve ser o foco de nossas vidas, “olhando para Jesus, autor e consumador da fé”.

Talvez, como Asafe, olhemos em dado momento para a prosperidade do ímpio, e que um sentimento de inveja e abandono por parte do Pai nos tome o peito. É possível que vejamos nossos conhecidos, aqueles não professam a fé no Salvador, obtendo lucro, crescendo profissionalmente e tendo uma vida tranquila, aparentemente em paz. Entretanto, que consigamos fazer o mesmo que o salmista: reconhecer nossa insensatez neste sentimento de inveja que brota no coração e ver que o Senhor é nossa necessidade. Se temos a Deus, o que poderia nos faltar?

Ainda, quem sabe as circunstâncias da vida nos atribulem ao ponto de nos fazer tropeçar na caminhada, e tal como no caso de Pedro o vento, as ondas, os problemas façam com que nosso referencial deixe de ser Cristo. Que, neste momento, consigamos nos lembrar do que escreve o autor da carta aos Hebreus: olhando para Jesus.

Independente do que passamos em nossas vidas, que Cristo seja o nosso alvo, nosso foco, nosso referencial. Que Ele seja nosso padrão, nosso galardão.

Minha oração, querido leitor, é que você lembre disso em sua caminhada. Que venham os sentimentos contrários, que venham as ondas, o vendaval e as tempestades da vida, mas que seus olhos estejam sempre cravados em Jesus, que lhe deu a fé e é quem completa, termina.

Sob a Graça,

Daniel Rodrigues Kinchescki

Seguindo a Multidão

“Uns, pois, clamavam de uma maneira, outros de outra, porque o ajuntamento era confuso; e os mais deles não sabiam por que causa se tinham ajuntado.” At 19.32

Ano passado tive a oportunidade de escrever um texto sobre quem é o alvo de nossa adoração e culto. Neste artigo, que pode ser acessado aqui, dissertei um pouco sobre a pobreza que encontramos em muitas pregações, canções e métodos evangelísticos de nossos dias, que são distantes e destoantes dos princípios bíblicos para tais.

Nesta mesma linha de raciocínio, desejo tecer algumas palavras sobre o versículo exposto acima. Temos uma noção de que nossos púlpitos estão com sérios problemas doutrinários, onde até mesmo o pelagianismo (ou semipelagianismo) tem sido pregado, e nossa nação está cada vez mais afundada em um lamaçal de corrupção e pecado sem igual, mas resta ainda uma questão que necessita de nossa atenção: e nós, seguimos a quem?

No contexto do capítulo 19 de Atos, vemos que a partir do versículo 23 Lucas descreve um grande alvoroço que houve em Éfeso acerca do Caminho, como era conhecido o Cristianismo. Um ourives, chamado Demétrio, que fazia moedas de prata do templo da deusa Diana (“versão” romana para Ártemis, dos gregos), reuniu outros homens, de ofícios semelhantes e, atiçando-lhes o coração escravizado pelo pecado, instigou-os contra a pregação de Paulo, levando-os a gritar, em plenos pulmões, “Grande é a Diana dos efésios!”.

Estes homens, apelando para o senso de religiosidade de seus ouvintes, lutavam por seu lucro e bens financeiros. Creio que aqui vale a pena abrir um pequeno parêntese no texto, para abordar este detalhe.

É necessário frisar que não é considerado pecado um empreendedor – cristão ou não – querer lucrar. É evidente que isso faz parte do mercado financeiro. Entretanto, este desejo torna-se pecaminoso se há, no coração deste empresário, o amor pelo dinheiro ou a intenção de aproveitar-se da fragilidade e vulnerabilidade dos consumidores e funcionários para elevar a margem de lucro, por exemplo.

Também, e agora dentro do contexto dos versículos 25 a 27, é extremamente pecaminosa a atitude de muitos pastores e líderes religiosos, ou até mesmo pessoas consideradas como “apenas membros” de suas igrejas locais, mas que exercem algum poder de influência, quando aproveitam-se dessa capacidade e “palavra de ordem” para, através da ignorância, inocência ou fé cega de seus fiéis, induzir o povo ao cometimento de atitudes equivocadas, porém geradoras de renda ou qualquer outro tipo de “benefício” pessoal.

Fechando este parêntese aberto, desejo voltar sua atenção a uma frase que me marcou de forma profunda quando li o versículo 32 deste capítulo 19 do livro de Atos dos Apóstolos. Transcrevo, abaixo, o referido texto:

“Lá dentro, em polvorosa, o povo todo gritava, e cada um dizia uma coisa. Na verdade, a maioria nem sabia por que estava ali.”¹

Que dura realidade! Novamente cito minha pergunta presente nos parágrafos iniciais: e nós, a quem temos seguido? E por favor, não limite este questionamento apenas ao âmbito eclesiástico. Não almejo saber se você é reformado ou pentecostal, se crê que os dons cessaram ou que continuam. Que este debate fique para outro momento, em outros textos. Aqui, quero que você aplique esta indagação ao seu cotidiano, seu emprego, estudo, dia a dia. Se alguém analisar sua cosmovisão, verá quem no centro dela?

Com um Brasil extremamente polarizado, onde o debate político, por exemplo, foi resumido à mísera dicotomia “pró-PT” e “contra PT”, uma multidão de cristãos navega em águas e mares do saber que lhes são desconhecidas, seguindo vozes que tentam gritar acima das ondas. Entretanto, sabem ao menos a quem estão seguindo? Conseguiriam apontar as diferenças entre estes dois extremos do jogo político, antes de tomar partido e defender, com unhas e dentes, ideais que na realidade não possuem?

A fé cristã é racional, e Paulo nos deixa isso muito bem claro nos versículos iniciais do capítulo 12 da carta que escreveu aos irmãos de Roma. Sendo uma fé racional, pressupõe-se que o “crer” esteja acompanhado do “pensar”. Como escreveu John Stott, “Crer é também pensar”. Ainda, a fé cristã é abrangente, alcançando todas as áreas da vida do ser humano. Seja no comportamento social, visão política, modo de vestir-se, palavras a serem utilizadas, para todas as áreas da vida a Palavra determina como um cristão autêntico deve procurar viver.

Ventrella certa feita escreveu:

“Proclamar como a religião afeta a vida pública é parte do processo da instrução do cidadão para viver com fidelidade – a estar no mundo, mas não ser do mundo. Todavia, para fazê-lo, as pessoas devem aprender como sua fé se aplica fora das portas da igreja, incluindo sua aplicação às questões de cultura e, sim, à política pública.”

Estamos no mundo, mas a ele não pertencemos. Estamos rodeados de trevas, mas com a missão de resplandecer a luz de Cristo em nossas vidas. Somos chamados para sermos servos fiéis do Cordeiro. Fomos criados para glória do Pai. Somos chamados para sermos criaturas pensantes, que usam este intelecto dado pelo Criador de maneira a glorificá-lo. Sim, você precisa saber em quem crê, a quem segue, que fé professa.

Não seja mais um que segue a multidão, mas que não faz a menor ideia do porquê está ali. Questione, indague, pergunte, coloque à prova, mas não siga às cegas. Bem sei que utilizei como exemplos a política e o púlpito para demonstrar meus pontos, mas espero ter deixado claro que este assunto não se limita a tais esferas, expandindo-se para o que já dito anteriormente: todas as áreas da vida humana.

No final do capítulo 19 de Atos, vemos que o escrivão da cidade, ao invocar a lei, dispersou a multidão, colocando-lhes senso na mente. Assim, que a Palavra do Senhor, que é a nossa Lei, seja aquela que lhe apaziguará os pensamentos, fazendo com que seus pés caminhem pelos trilhos das Escrituras. Que você saiba a quem está seguindo, em quem está crendo.

Este é meu clamor, amado leitor.

Sob a Graça,

Daniel Rodrigues Kinchescki

¹ Texto retirado da Bíblia Sagrada NVT: Nova Versão Transformadora
² Jeffery J. Ventrella, em “Política e púlpito: o que Deus requer?”

No Jardim da Reforma

Este texto é para você, leitor, que tem dúvidas sobre algumas questões básicas da soteriologia (aquela parte da teologia que estuda a doutrina da salvação) Calvinista, também chamada de Reformada. Este texto não tem a intenção de soar apologético, ou de lutar com unhas e garras pela nossa corrente doutrinária. Ainda que isso possa soar estranho, principalmente a você que já está acostumado com essa tonalidade em artigos espalhados pela internet, pretendo apenas trazer informações básicas e claras do que cremos.

Serão tratados, então, os Cinco Pontos do Calvinismo, conhecidos também como as Doutrinas da Graça. Ao contrário do que se pensa, e que normalmente se deduz, esta doutrina não foi criada por Calvino, pelo contrário, “estes cinco pontos foram formulados pelo Sínodo de Dort, Sínodo este convocado pelos estados Gerais (da Holanda) e composto por um grupo de 84 Teólogos e 18 representantes seculares, entre esses estavam 27 delegados da Alemanha, Suíça, Inglaterra e outros países da Europa reunidos em 154 Sessões, desde 13 de novembro até maio de 1619”[1].

Os Cinco Pontos são: Depravação Total (Total Depravity), Eleição Incondicional (Unconditional Election), Expiação Limitada (Limited Atonement), Graça Irresistível (Irresistible Grace), Perseverança dos Santos (Perseverance of Saints). Se diz que a tulipa é a flor do Calvinismo porque, como se vê no inglês, o acróstico popular forma a palavra “tulip”, que é a flor em questão.

Sobre a Depravação Total

Você já deve ter se perguntado “Por que acontecem coisas ruins com pessoas boas?”  Na verdade, não acontece, pois as Escrituras declaram que todos são maus, somente o Pai é bom (Lucas 18:19). Nós costumamos chamar isso de “Depravação total”.

Representada pelo “T” na Tulip, a “Flor Calvinista”, a doutrina da “Depravação Total” é normalmente a primeira a ser explicada quando a conversa é sobre as Doutrinas da Graça.

Essa doutrina afirma que o homem não é capaz de se salvar, ou seja, não importa quantas coisas boas ele faça para as outras pessoas, ele continuará sendo injusto e nada que fizer pode salvá-lo. Aliás, aos olhos de Deus, o homem natural, aquele que ainda não foi convertido pelo Senhor, que não tem o seu coração transformado pelo Espírito Santo, não pode praticar bem algum, porque está morto por conta do pecado, pois por causa de Adão, o pecado passou a fazer parte de cada ser humano desde o seu nascimento.

Paulo deixa isso bem claro em algumas passagens de suas cartas, como por exemplo quando escreve aos Romanos dizendo que não há ninguém que faça o bem, ninguém que busque a Deus (Rm 3.10-12), que todos os homens pecaram, e que por causa do pecado estão separados de Deus (Rm 3.23), ou quando escreve aos irmãos da cidade de Éfeso, dizendo que sem Deus o homem está morto espiritualmente (Ef 2.1-2).

Isso não quer dizer que o homem é “100% mau” e que só é capaz de fazer maldades, como matar ou mentir, mas sim que todas as áreas do ser humano, desde seu jeito de falar ao modo de viver, por exemplo, foram contaminadas pelo pecado, e que obra alguma realizada pelo homem é capaz de conquistar a bondade e o favor de Deus.

Quer um exemplo? Só olhar para uma criança. Ninguém precisa ensiná-la a fazer birra, gritar com os pais ou mentir. Essa maldade mora dentro dela, desde pequena, por culpa do pecado.

Porém, Deus respondeu ao pecado enviando Cristo Jesus, que nos libertou da escravidão, e por sua graça nos justificou. Como está escrito em Romanos 3.24, nós todos somos transformados em pessoas justas graças ao sacrifício de Jesus na cruz, por cada um de nós.

Sobre a Eleição Incondicional

Não tem como evitar: quando falamos de “Eleição”, acabamos pensando em “escolha”. Lembramos de quando vamos eleger um presidente, um vereador, algum outro político para assumir alguma função ou, quem sabe, até mesmo um time favorito ou aquele ator que se destaca pelo filme que fez.

O segundo ponto do Calvinismo, a segunda pétala da Tulipa que estamos estudando, chama-se “Eleição Incondicional”. Mas, o que é isso? Deus pode escolher algumas pessoas e rejeitar, reprovar, outras? Ele não seria injusto se fizesse isso?

Quando olhamos para a Bíblia, encontramos o apóstolo Paulo escrevendo o seguinte:

“Porque Deus nos escolheu nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença. Em amor nos predestinou para sermos adotados como filhos por meio de Jesus Cristo, conforme o bom propósito da sua vontade, para o louvor da sua gloriosa graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado.” Ef 1.4-6

Aprendemos com o primeiro ponto da doutrina calvinista que nenhuma pessoa consegue ser boa o bastante para se salvar. Sabe o que isso quer dizer? Que infelizmente todos os seres humanos estavam condenados à morte e ao inferno por causa de seus pecados. Isso seria péssimo para nós!

Porém, como Deus é extremamente bondoso e cheio de graça, Ele resolveu eleger, escolher, do meio dessa gente toda, um povo para ser chamado de “povo de Deus”. Sabe quem? A Igreja! É por isso que Deus não pode ser chamado de “injusto” pela escolha dEle. É exatamente o contrário! Essa escolha é um ato de misericórdia!

O mesmo apóstolo Paulo escreveu dizendo que o oleiro, aquela pessoa que faz um vaso, pode escolher fazer o que quiser com o barro que tem nas mãos, e transformá-lo em qualquer coisa (Rm 9.14-24).

Essa escolha é chamada de incondicional porque nada em nós poderia ter provocado isso. Não existem condições para que a eleição do Pai tenha sido feita. Não existe um “tipo favorito de pessoas”. Deus não escolheu seus filhos porque eles são ricos ou pobres, feios ou bonitos. Como diz a Palavra, “portanto, isso não depende do desejo ou do esforço humano, mas da misericórdia de Deus” (Rm 9.16)

O que aprendemos com este ponto? Que a eleição de Deus, o fato de o Pai escolher seus filhos é, acima de tudo, um ato de misericórdia. Só somos salvos porque antes de haver mundo, o Senhor já tinha nos escolhido.

Sobre a Expiação Limitada

Sabemos que o ser humano é mau e que por conta própria ele não consegue alcançar a salvação. Também, que o coração do homem, que é de onde saem todos os desejos e vontades, não pode querer alguma coisa boa aos olhos de Deus. “Não há um justo sequer”, lembra?

Deus, então, para demonstrar sua misericórdia e graça, seu amor e bondade, decide escolher alguns homens para salvá-los. O Senhor os elegeu para “louvor de sua glória”. Mas, e aí? Como isso funciona? Porque temos um problema aqui: todos merecem o inferno e o Pai escolhe alguns para salvar, mas como Ele faz isso?

É exatamente sobre isto que se trata o terceiro ponto do calvinismo: a Expiação Limitada.

Primeiro, precisamos entender o que é “expiação”. Segundo o dicionário, essa palavra significa sofrer a culpa ou pena por algum pecado ou crime cometido. No nosso caso, pecamos contra Deus, e nada que façamos pode apagar esta dívida. É aí que surge Jesus, o nosso Salvador. Ele vem à terra, sofre, morre e ressuscita pelos nossos pecados, fazendo assim com que nós possamos nos apresentar sem medo diante de Deus. A isso damos o nome de “expiação substitutiva” – Jesus sofre a ira do Pai por nós para que possamos desfrutar do Seu amor como filhos adotados.

Jesus morreu para o Pai provar seu amor por nós (Rm 5.8), e para satisfazer a ira Divina contra o pecado. O Justo morreu pelos criminosos.

Tá, então Jesus morreu por todos os seres humanos?

Não, e esse é o segundo ponto que precisamos entender. Quando falamos assim, em expiação “limitada”, não queremos dizer que o poder ou o valor do sangue de Jesus sejam pequenos. Longe disso! Uma maneira mais fácil de entender essa doutrina é chamando-a de “particular”.

Mas, por que “particular”? Porque Jesus morreu pelo seu povo (Is 53.8; Mt 1.21), suas ovelhas (Jo 10.14, 15, 26-28) e sua Igreja (At 20.28). Quando a Bíblia fala que Jesus morreu por “todos” ou “pelo mundo”, precisamos entender que os benefícios da morte de Cristo não eram limitados apenas ao povo de Israel, mas sim a todos os povos, tribos e nações.

Um exemplo de algo parecido é encontrado em uma das orações de Cristo. Ele diz ao Pai “…não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus…” (Jo 17.9). Neste trecho o Senhor Jesus deixa bem claro que existe um povo que a Ele foi dado pelo Pai, e outro que não. Da mesma forma que Ele orou apenas pelos seus, também a salvação por meio de seu sacrifício foi aplicada apenas a esses.

Jesus morreu por todos sem acepção, mas não por todos sem exceção. Ele morreu por todo aquele que nEle crê, sendo que a Fé é um presente de Deus a seus filhos. A morte de Cristo é suficiente para todos, mas eficiente apenas para os eleitos.

Sobre a Graça Irresistível

Já entendemos que o homem é mau, e que nada que ele faça pode ou consegue atrair o favor de Deus. Sabemos também que por toda sua maldade e pecado, o ser humano corre a passos largos para o inferno, e que apenas a mão forte do Senhor tem poder para impedir isto. Assim, para sua glória e em um ato de misericórdia, o Todo Poderoso escolheu alguns destes homens para salvar e adotar, santificando-os e levando-os ao céu, para sua eterna morada.

Este ato de misericórdia foi confirmado na cruz, quando Jesus desce a terra e morre por todos aqueles que são seus. Ele troca de lugar conosco: o Justo morre pelos pecadores, para que esses consigam viver como justos aos olhos do Pai.

Entretanto, ainda existe um problema. Como estes seres mortos conseguirão se aproximar do Salvador? Eles não tem vida, não tem vontade, não tem desejos bons em sua natureza.

É exatamente sobre isso que trata o quarto ponto do Calvinismo: da Graça Irresistível.

Como “Graça Irresistível” nós precisamos entender, basicamente, que Deus é Soberano e que Ele pode vencer facilmente toda rebeldia do coração humano, atraindo seus filhos para seus braços de amor. É isso que vemos no livro do profeta Daniel, por exemplo.

“Todos os povos da terra são como nada diante dele. Ele age como lhe agrada com os exércitos dos céus e com os habitantes da terra. Ninguém é capaz de resistir à sua mão nem de dizer-lhe: “O que fizeste?” Dn 4.35

Outro texto bíblico que nos ajuda a entender com mais facilidade a soberania de Deus no processo de conversão é uma declaração do Todo Poderoso em Os 11.4, quando ele fala que atraiu – e continua atraindo – seu povo com “laços de amor”.

Esta doutrina não ensina que o homem não resiste a Deus. É exatamente o contrário. A natureza caída do homem é contra o Senhor, e se não fosse por Sua graça nós sempre resistiríamos à vontade do Pai. Entretanto, com este ponto do Calvinismo aprendemos que nenhuma vontade pode ser mais forte que a de nosso Senhor. Aqueles que pertencem a Cristo são e serão eficazmente chamados. Aliás, este é outro nome do que aprendemos hoje: Chamado (ou Vocação) Eficaz.

Deus, através da pregação fiel da Palavra e da operação do seu Santo Espírito, dá vida ao homem pecador e o convence de que há salvação e esperança apenas nos braços do Pai.

Sobre a Perseverança dos Santos

Este é um dos pontos mais mal compreendidos do Calvinismo, a doutrina da “Perseverança dos Santos”. Você talvez já ouviu aquela frase, provavelmente dita com tom de zombaria, “uma vez salvo, salvo para sempre”. Neste último ponto do Calvinismo, entenderemos o porquê de ser impossível que um eleito do Senhor perca sua salvação e pereça na eternidade.

A doutrina da Perseverança dos Santos (ou Preservação dos Santos) é uma conclusão de todos os outros pontos do Calvinismo. Entendemos que os decretos de Deus são eternos e perfeitos. Se assim cremos, é natural ver que como o Senhor decretou alguns homens para a salvação em Cristo, também assegurará que estas pessoas perseverem até o fim. Afinal de contas, se os eleitos não perseverassem, a salvação em Cristo seria falha e Deus, imperfeito. E isso é simplesmente um absurdo só de se imaginar!

Esta doutrina nos ensina que o eleito continuará no caminho da salvação, seguro de que não será afastado das mãos de Cristo. É exatamente isso que nosso mestre nos fala quando lemos o evangelho de João.

“Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora. Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. E a vontade do Pai que me enviou é esta: Que nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite no último dia.” Jo 6.37-39

Esta maravilhosa doutrina nos traz a segurança de estarmos guardados por Cristo, mas também nos lembra de que devemos perseverar. Aquele ditado zombeteiro que falam, do “uma vez salvo, salvo para sempre”, é apenas um dos lados da moeda. Sim, cremos que a salvação não pode ser perdida, mas aprendemos com o Calvinismo que uma vida carnal e ímpia são opostas ao chamado do Pai, que nos elegeu para sermos santos e irrepreensíveis.

Nossa eterna eleição no Pai e a segurança que tanto desfrutamos são confirmadas por uma vida de santidade na presença de nosso Criador. Sim, um verdadeiro cristão acaba pecando. Um verdadeiro cristão pode até, por um curto período de tempo, viver distante dos caminhos do Senhor, mas ele voltará para casa, tal como fez o filho pródigo.

E, assim como na parábola do filho pródigo, o Pai o receberá de braços abertos, pois estamos seguros de que nada, absolutamente nada nos separa do amor de Deus, que está em Cristo Jesus.

Que este texto, amado leitor, sirva para trazer um pouco mais de luz a toda e qualquer dúvida que faça morada em seu coração. Que a Graça do Pai esteja a lhe iluminar sempre, e que a boa mão do Senhor lhe guie por este jardim tão maravilhoso que são as doutrinas bíblicas.

Sob a Graça,

Daniel Rodrigues Kinchescki

[1] Tradução livre e adaptada do livro The Five Points of Calvinism, http://www.unifil.br/teologia/arquivos/ cincopontoscalvinoesboco.pdf

 

Ele É

Por estes dias, pela graça do Pai, me deparei com uma música que há algum tempo não ouvia. Seu nome é exatamente o título deste texto, “Ele é”, e foi composta pela dupla “Os Arrais”.

Nesta canção, toda a mensagem pode ser resumida precisamente nesta expressão, “Ele é”. Um dos trechos, inclusive, e que muito me toca o coração, transcrevo abaixo, para então levar a você um pouco do que penso sobre o assunto.

“Ele tira o pecado do mundo, planta esperança na terra do meu coração. Cristo, Pão que alimenta o faminto, vinho esmagado e servido na cruz para todo cansado. O que Cristo oferece, Ele é.”

De fato, em nossa caminhada na terra, nos deparamos com inúmeras necessidades e incontáveis problemas. Nos encontramos em situações de desespero, onde além de não termos nada, muitas vezes ainda devemos. Nestas horas pavorosas nos falta uma coisa: esperança. Sentimos as angústias da vida, os desprazeres que eventualmente enfrentamos, e nos sentimos vazios. As promessas aparentemente não são para nós, e até o céu nos parece distante.

Nestes momentos, é extremamente importante que nos lembremos desta expressão: Ele é.

Ao olharmos para a Palavra, que é nossa regra de conduta e fé, encontramos o Senhor Jesus fazendo uma declaração sobre este assunto.

“E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede.” Jo 6.35

Entenda, querido leitor, que Cristo é tudo, precisamente tudo que você necessita. Ele é o pão da vida, Ele é o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, Ele é o alfa e ômega, o princípio e o fim. Não apenas isso, mas acredito ser necessário trazer mais uma verdade à tona, que está contida na letra desta música: o que Cristo oferece, Ele é.

Quando você se deparar em momentos de solitude e aflição na vida, saiba que Cristo lhe oferecerá descanso para a alma, e Ele será este descanso.

Quando você enfrentar momentos de aflição tamanha, onde os dias tornar-se-ão sombrios e escuros, Cristo lhe oferecerá um raio de esperança, e Ele será este sol da justiça que brilhará sobre você.

Quando você olhar para seus dias e entender que precisa desesperadamente de salvação, ou da certeza dessa, saiba que Cristo lhe oferecerá o único meio de encontrar repouso eterno: Ele mesmo.

O que Cristo oferece, amado leitor, Ele é. Repouse tranquilo nesta certeza e suficiência.

Sob a Graça,

Daniel Rodrigues Kinchescki