Voltando de Emaús

“E na mesma hora, levantando-se, tornaram para Jerusalém, e acharam congregados os onze, e os que estavam com eles, Os quais diziam: Ressuscitou verdadeiramente o Senhor, e já apareceu a Simão. E eles lhes contaram o que lhes acontecera no caminho, e como deles fora conhecido no partir do pão.” Lucas 24:33-35

Há algum tempo, em um culto realizado pela manhã em minha igreja, meu pastor pregou sobre estes dois discípulos que iam pelo caminho de Emaús. Suas palavras foram voltadas para a questão da solidão, do abandono, e foi um sermão que muito nos consolou a alma.

São versículos conhecidos, e não foram poucas as vezes que já ouvi pregações sobre estes textos do evangelho de Lucas. Entretanto, conforme o sermão era desenvolvido no púlpito da igreja neste dia, o Senhor fez com que meu coração atentasse para alguns pontos acerca destes versos, e são estes detalhes que desejo partilhar neste artigo.

Um Pouco de Contexto

Este capítulo 24, do evangelho de Lucas, é o último da “carta” que o médico, amigo de Paulo, escreve a um homem chamado Teófilo. O autor narra que pareceu-lhe bem expor, depois de uma acurada investigação, e em ordem, os fatos que aconteceram no decorrer do ministério de Cristo (Lc 1.1-4).

Como meu desejo neste artigo é de falar dos fatos que aconteceram após a morte de Jesus, creio ser necessário analisar de forma mais próxima o final deste livro, onde vemos que logo no capítulo 22 dá-se início às conspirações para matar a Cristo (22.1-6). Desde então, o Messias vai ao Getsêmani (22.39-53), Pedro nega sua fé (22.54-62), Cristo é julgado e, então crucificado (22.63 até 23.56). O capítulo 24, então, trata sobre a ressurreição do Mestre.

Sobre os Dois Discípulos

A Palavra nos narra, então, que no mesmo dia em que Pedro correu ao sepulcro e não viu seu Senhor- ele viu apenas os lençóis de linho- estes dois homens, discípulos de Cristo, seguidores do Caminho, dirigiam-se à aldeia de Emaús, que distava aproximadamente 11 quilômetros da cidade de Jerusalém.

Enquanto caminhavam, conversavam e discutiam sobre os acontecimentos recentes. Debatiam sobre a morte de Cristo, até que se lhes aparece um homem, aparentemente desinformado das notícias. Lucas nos narra ainda que este homem era o assunto da conversa destes dois, o próprio Mestre. Entretanto, o mesmo autor demonstra que “seus olhos estavam como que impedidos de o reconhecer”.

Cristo, então, interfere no diálogo e indaga aos caminhantes o que lhes preocupava, o que afligia seus corações. Entristecidos, ambos param e calam-se, até que Cleopas (o único que a Palavra faz menção do nome) responde ao até então “desconhecido”, perguntando-o se era o único que, vindo de Jerusalém, ignorava as ocorrências dos últimos dias. O Senhor, promovendo o diálogo, pergunta novamente “quais?”. E, na resposta dos dois discípulos é que desejo fazer meu primeiro comentário.

Estes dois homens respondem a Cristo contando toda a história do que aconteceu, porém, citam algo que muito me entristece o coração. Eles eram seguidores de Cristo, e não duvido que tinham um coração sincero batendo em seus peitos. Eram discípulos do Senhor, pois assim a Palavra nos narra, porém aparentemente não entenderam qual a missão principal de Jesus na terra. Quando, no versículo 24, lemos sua afirmação de que Cristo viria para “redimir a Israel”, podemos notar que as esperanças dos dois restavam no fato de serem livres de Roma, o império que afligia seu povo.

Entenda, com este parêntese que abro agora, que Cristo veio nos libertar do pecado, do jugo a que antes estávamos submetidos por sermos representados, diante de Deus, por Adão. Esta era a mensagem central da pregação de nosso Senhor. Quando vemos que Cristo, pelas diversas vezes que discursou, trouxe à tona a Lei de Moisés e o testemunho dos profetas, notamos que ele apontava para a incapacidade do homem de, pelos seus méritos, ser justo diante de Deus e salvar-se (pois para tornar isso claro que servia a Lei), e que a salvação viria pelo Messias, aquele único que teria o poder de cumprir a Lei do Senhor e oferecer a si mesmo como oferta pelo pecado do povo (que é precisamente a mensagem dos profetas, como vemos em Is 53).

Digo que o versículo 24 me dói no peito, pois, quando olhamos para a realidade atual da igreja evangélica brasileira, podemos notar que muitas pessoas afirmam seguir um Cristo que elas não conhecem. De forma irracional, obedecem aos mandamentos que não foram impostos pelo Senhor, mas falham no tocante ao amor a Deus e ao próximo, por exemplo, que segundo Cristo são o resumo da Lei. Tal como os discípulos que iam no caminho de Emaús, alguns de nossos irmãos não entendem a mensagem central do evangelho.

Prosseguimos, então, com a análise destes trechos e nos deparamos com a resposta de Cristo. Ah, e que resposta! No versículo 27 Lucas nos afirma o seguinte:

“E, começando por Moisés, e por todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras.” Lucas 24:27

A resposta do Mestre para toda a falta de conhecimento, toda a incredulidade, medo e dúvida que estavam alojados nos corações dos dois discípulos é “está escrito”. Cristo, passo a passo, ensina aos discípulos toda a trajetória do “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). Desde a Lei (Moisés) até ao que dito pelos profetas, a respeito do Messias, foi tratado naquela caminhada. E, daqui, vejo ser necessário apontar alguns fatos:

1) Em primeiro lugar, e creio que mais importante, toda pregação da Palavra deve culminar em apenas um único alvo: Cristo. Vemos, na passagem acima exposta, que o próprio Senhor Jesus falava daquilo que “dele se achava em todas as Escrituras”. Bênçãos materiais, uma vida estável e conselhos sobre o que fazer ou não fazer não podem ser o ápice de nossas pregações. Tudo começa em Cristo, e deve terminar em Cristo. Devemos pregar para glória de Deus, demonstrando Cristo em cada Palavra, cada passagem. É evidente que assuntos do cotidiano podem – e devem – ser tratados no seio da Igreja, mas lembrando sempre que nada pode eclipsar o nome de nosso Senhor.

2) Em segundo lugar, a certeza da nossa fé não deve estar firmada nas coisas passageiras que vemos, nos boatos que ouvimos ou nos feitos das pessoas que nos cercam. Nossa fé precisa estar firmada na Palavra. É apenas com os pés cravados na Rocha Eterna que poderemos sobreviver aos constantes açoites do vento e das ondas, que tentam nos desviar do Santo Caminho.

3) Em terceiro lugar, vemos o resultado da pregação fiel das Escrituras – elas dão vida ao coração. Observando o versículo 32, notamos que o coração dos discípulos era esquentado quando Cristo com eles conversava. Como disse o apóstolo Paulo, a “fé vem pelo ouvir, e o ouvir vem pela palavra de Cristo” (Rm 10.17).

Assim, para concluir este texto, visto que não desejo alongá-lo ainda mais, creio ser necessário tecer uma pequena consideração sobre os versículos iniciais. Lá, notamos que os discípulos levantam-se, saem da casa onde estavam reunidos e voltam de Emaús a caminho de Jerusalém. Lembra de quando o Senhor Jesus os abordou? Cristo encontrou-os enquanto caminhavam para longe daquilo que lhes trazia sofrimento, a cruz e morte do Mestre, e agora eles percorrem este mesmo caminho, mas em sentido contrário, à Jerusalém, ao túmulo de Cristo, para levar as boas novas do Evangelho aos demais discípulos.

Aqui, termino com as palavras do Reverendo Edson Martins, meu pastor, quando afirma que “quem foge da realidade da cruz, não é capaz de ver o túmulo vazio”.

Sob a Graça,

Daniel Rodrigues Kinchescki

A Vida é Trem-Bala, Parceiro!

Sim, é com esta frase da música “Trem-bala”, composta e cantada pela Ana Vilela, que dou nome a este texto. A intenção aqui é simples: demonstrar quão passageira é a nossa vida, aquela que às vezes vivemos de forma banal e sem sentido. Repletos de correrias, cercados de angústias e afogados em mares de sofrimentos, passamos por dias trabalhosos – onde a rotina, muitas vezes, tira a beleza da vida.

Olhando para a Palavra, que é onde repousa o conforto e alegria de todo aquele que professa a fé em Cristo, encontramos na carta de Tiago alguns versículos sobre a brevidade da vida, e de como vivê-la para glória do Pai.

“Atendei, agora, vós que dizeis: Hoje ou amanhã, iremos para a cidade tal, e lá passaremos um ano, e negociaremos, e teremos lucros. Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa. Em vez disso, deveríeis dizer: Se o Senhor quiser, não só viveremos, como também faremos isto ou aquilo.” Tg 4.13-15

Estes três versículos gritam aos nossos corações algumas verdades que precisam ser observadas se quisermos entender qual a finalidade de nossa vida terrena. Deus é Soberano, e isto precisa ser gravado em nossas mentes. Nada, e absolutamente nada, foge das mãos do Senhor.

Em primeiro lugar, vemos que o meio irmão de Jesus desconstrói a ideia de que os planos dos homens são eternos e infalíveis. Eles escreve estas palavras aos que dizem “hoje ou amanhã, iremos para a cidade tal, e lá passaremos um ano, e negociaremos, e teremos lucros” e lhes afirma: “vós não sabeis o que sucederá amanhã”. O que são os nossos planos, quando comparados à vontade do Senhor?

O sábio Salomão escreve que não há plano, conhecimento ou ideia que possa prosperar contra o Senhor (Pv 21.30), que o homem até pode estar pronto e armado para a batalha e lutas que vê, mas que é do Senhor que vem a vitória (Pv 21.31), e que alguns caminhos e planos podem nos parecer corretos e direitos, mas que levam apenas à morte (Pv 14.12).

A verdade é realmente esta: nós não sabemos os que nos acontecerá amanhã. Quão sábios podemos ser, quão longe conseguimos enxergar? O que podemos fazer quando Deus nos mostra que a nossa sabedoria, nosso planejamento, é nada comparado ao que Ele já anteviu e decretou? O que são nossos planos, repito, quando comparados à vontade do Senhor?

A resposta encontramos, novamente, nas palavras de Tiago. Antes, entretanto, de nos trazer luz a este questionamento, ele faz uma observação sobre o que é a nossa vida: “sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa”. Isto deve nos servir como um aviso, um alerta. Não se apegue às coisas desta vida, como se fossem eternas. Não se sinta preso por aquilo que você tem, ou que almeja em ter. Não pense que seus planos são tudo o que lhe sustenta. Nossa vida, ainda que vivida no seu limite de dias, com quem sabe 80 ou 90 anos, é passageira, como um estalar de dedos. Como um vento que sopra e dissipa a neblina ante de nossos olhos.

A vida é breve, caro leitor, e precisa ser vivida com sentido. Davi escreveu palavras verdadeiras sobre isso, e que devem ser lembradas. Antes de chegarmos ao Salmo 91, conhecido por muitos e declamado em momentos difíceis, quando em busca de conforto e esperança, precisamos nos ater ao que o salmista revela no Salmo anterior.

“Os anos de nossa vida chegam a setenta, ou a oitenta para os que têm mais vigor; entretanto, são anos difíceis e cheios de sofrimento, pois a vida passa depressa, e nós voamos!” Sl 90.10

Como, então, viveremos? Agora sim vem a resposta do apóstolo. Viveremos uma vida com sentido, uma vida com propósito, uma vida que glorifica a Deus quando entendermos que é em submissão a Ele que devemos viver. Tiago escreve para aquelas pessoas, que o certo a se fazer é reconhecer que tudo depende do querer de Deus, inclusive se estaremos vivos ou não. “Em vez disso”, afirma o escritor, “deveríeis dizer: Se o Senhor quiser, não só viveremos, como também faremos isto ou aquilo.”

Toda a nossa vida, o que fazemos ou pensamos, desde o momento em que acordamos à hora em que deitamos o corpo para dormir, tudo depende inteiramente do Senhor. Em Atos, Lucas registra um discurso de Paulo que resume muito bem o que tento passar nestes parágrafos finais:

“Pois nele vivemos, nos movemos e existimos’, como disseram alguns dos poetas de vocês: ‘Também somos descendência dele.” At 17:28

Sim, nele nós vivemos, pois Cristo é o “caminho, a verdade e a vida” (Jo 14.6). Nos movemos, pois Ele é a nossa motivação, e quem opera em nós tanto o querer quanto o efetuar (Fp 2.13). Existimos, pois foi pela boa vontade do Senhor que fomos criados e predestinados para louvor da glória de sua graça (Ef 1).

Nossa vontade deve ser sujeita ao querer de Deus. Vemos isso de forma muito clara em um exemplo que o próprio Cristo nos dá. Quando no Monte das Oliveiras, pouco antes de ser traído por Judas, Ele ora ao Pai clamando que, se possível, aquele sofrimento lhe fosse poupado. Entretanto, sendo o maior exemplo de submissão, como também narrou Paulo aos Filipenses, sua oração termina com “contudo, não seja feita a minha vontade, mas a tua” (Lc 22.42 e Fp 2.5-8). Uma vida só tem sentido em ser vivida quando seus dias são contados para glória do Pai, mesmo em face da morte.

Enfim, querido leitor, tenha consciência disto: a vida é breve, como um sopro, uma neblina, um estalar de dedos. Nós, e ouso dizer que pela graça do Pai, não estamos no controle da situação, e não detemos o poder de mandar em nosso futuro. Somos dependentes do Senhor, e viveremos com sentido se colocarmos em prática nossa missão principal – viver para glória de Deus.

Como diz a cantora, Ana Vilela, “a vida é trem-bala, parceiro, e a gente é só passageiro prestes a partir”.

Sob a Graça,

Daniel Rodrigues Kinchescki

Permanece Naquilo Que

“Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.” 2Tm 3.14-17

Há algum tempo, fiz uma série de estudos, do capítulo 3, desta segunda carta de Paulo a seu amado filho na fé, Timóteo. Nesses, foram abordados assuntos como as características que o apóstolo via dos últimos dias, bem como a certeza do sofrimento na caminhada e vida cristã. De forma resumida, podemos afirmar que os tempos tornar-se-ão cada vez mais sombrios, e que todo aquele que andar em fidelidade com Cristo passará por tribulações e aflições em nome do Senhor.

Neste texto, entretanto, meu desejo é de expor algumas considerações que podemos retirar dos versículos demonstrados acima. Convém lembrar, naturalmente, que Paulo está escrevendo sua última carta, e que, ciente disso (2Tm 4.6), dá conselhos valiosos ao jovem pastor de Éfeso.

De início, então, a ordem de Paulo a Timóteo é que este tenha um comportamento diferente dos homens cruéis e de má índole que o apóstolo aponta no versículo 13, deste mesmo capítulo. “Tu, porém”, afirma o ancião. Estes homens, que Paulo descreve como “perversos” e “impostores” são a expressão máxima da depravação do homem, visto que corrompem a Verdade a seu bel prazer, “enganando e sendo enganados”. Estes são os falsos mestres, aqueles narrados nos versículos 1 a 5 deste capítulo, que usam de mentiras e palavras enganosas para guiar, de forma errônea, o povo de Deus. Suas pregações e ensinos são heréticos, carregados de doutrinas humanas e de demônios (1 Tm 4.1), apostatando-os da fé e levando alguns a fazerem o mesmo.

Esta ordem, este “tu, porém”, perdura firme ainda em nossos dias. É nosso dever permanecer e lutar. É nosso dever perseverarmos na Sã Doutrina, conforme nos ensinaram o Cristo, os apóstolos, os pais da Igreja, os Reformadores e outros tantos servos fiéis do Bom Senhor. Ainda que vivamos em tempos onde a Igreja tem sido cada vez mais defraudada, a Verdade vendida e corrompida, os valores invertidos e negociados, faz-se necessário que nós, independente de idade, sexo, cargo ou denominação, perseveremos, preguemos e conservemos o Evangelho, as Boas Novas.

Após, Paulo deixa ainda mais explícita a forma como Timóteo deveria ser diferente dos falsos mestres ao afirmar “permanece naquilo que aprendeste e que foste inteirado”. Intrigante é o verbo utilizado pelo apóstolo, “permanece”. Só podemos “permanecer” em algum lugar quando já estamos lá. Só é possível “permanecer” em uma casa quando, em algum momento, nela adentramos. Da mesma forma, a possibilidade de “permanecer” naquilo que aprendemos é real apenas se, em algum momento, de fato aprendemos aquilo. Assim, fica clara a necessidade de estudarmos e conhecermos a Palavra de Deus. Para que nela possamos “permanecer”, primeiro precisamos conhecê-la em algum ponto de nossas vidas. É impossível resistirmos às tempestades e bravas ondas do mar se, antes, nossos pés não estiverem firmados na Rocha (Sl 40.2; Mt 7.24-25).

Deus, pela Sua profunda misericórdia, revela-Se ao homem de modos peculiares. Em primeiro lugar, a todos, através da revelação geral. O que é isso? Basta olhar pela janela de sua casa que você perceberá. Vê pássaros cantando? Vê o vento a soprar? Vê as nuvens nos céus, ou formigas na terra carregando folhas e grãos? Sente o ar adentrando seus pulmões e dando-lhe fôlego para mais um dia? Ouve, em dias de chuva, os trovões e vê relâmpagos a rasgarem os céus? Cada um destes aspectos da natureza clama a existência de Deus, proclama a glória do Criador. A Palavra é bem clara quanto a isso, seja no saltério (Sl 19) ou em uma das cartas paulinas (Rm 1.18-23).

Do mesmo modo, se existe uma revelação “geral”, existe também uma “especial”, onde o Senhor se revela, principalmente, através de duas formas: Sua Palavra e, a maior de todas, em Cristo Jesus. Vemos nas Escrituras a expressão desta verdade no evangelho de João, quando o autor nos mostra a encarnação (Jo 1.1, 14) e na carta escrita aos hebreus (Hb 1.1-3), além dos versículos que servem de base para este texto.

Em suma, isto tudo foi escrito para que fique clara uma coisa: Deus se revela a nós, então, devemos buscá-lo para aí, permanecermos nEle, conforme o apóstolo escreve à igreja de Colossos (Cl 2.6-7). Aquilo que Timóteo aprendeu e foi inteirado resume-se na expressão escrita da pessoa de Deus, a saber, Sua Palavra.

Após tratar sobre a necessidade de “permanecer” naquilo que Timóteo havia aprendido, Paulo faz uma declaração interessante: o jovem pastor aprendera toda esta Verdade desde a infância. Eis aí uma das principais funções de pais cristãos: ensinar a seus filhos a Palavra do Senhor. Quando observamos o Antigo Testamento, encontramos esta preciosidade no livro de Deuteronômio:

“E ensinai-as a vossos filhos, falando delas assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te; E escreve-as nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas; Para que se multipliquem os vossos dias e os dias de vossos filhos na terra que o Senhor jurou a vossos pais dar-lhes, como os dias dos céus sobre a terra.” Dt 11.19-21

É na Palavra de Deus que encontram-se os princípios basilares de uma vida sadia, de uma regra de conduta correta e, acima de tudo, onde a “salvação pela fé em Cristo Jesus” é revelada. Nossas crianças, nossos adolescentes e jovens não precisam de entretenimento nas igrejas. Não precisam de “ministérios” de dança ou de coreografia para que tenham uma fé firme, eles precisam da Palavra de Deus. Pregada, exposta e explicada. A Palavra apenas! Uma congregação ou denominação até pode “conquistar” o jovem com base no entretenimento, mas isso nunca será suficiente para verdadeiramente libertá-lo (Jo 8.32).

Ainda sobre este trecho do versículo 15, é de extrema necessidade citar o que foi grifado acima, que a “salvação [é] pela fé em Cristo Jesus”. Não por nossas obras, muito menos por nosso mérito, mas mediante a fé no sacrifício de Cristo. Paulo deixa isso bem claro quando escreve aos de Éfeso e Roma, por exemplo (Ef 2.1-10; Rm 3; 4; 5; 6). Como declarou Pedro, ousadamente, perante o Sinédrio:

“E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.” At 4.12

Mais abaixo, então, Paulo discorre que “toda a Escritura é inspirada por Deus”. Isso quer dizer que, em primeiro lugar, o fato de existir algo registrado através de escritos deu-se mediante um plano divino – não foi mero acaso. Em segundo lugar, que mesmo sendo escrita por homens, a Palavra de Deus é, de fato, do Senhor. Esta “inspiração” quer dizer que o Todo Poderoso guiou e instruiu Seus filhos, santos e profetas a escreverem tudo quanto fosse necessário. E nesta necessidade é que reside o terceiro ponto, a Palavra é suficiente! Deus se revela aos Seus filhos através da Palavra, de modo que não há necessidade de “maiores” revelações. Volto a dizer, se algo vai além do que foi revelado nas Sagradas Escrituras, é maldito. Se fica aquém, e sequer alcança o que expresso nos versículos bíblicos, é desnecessário.

Encaminhando-se para o findar do terceiro capítulo desta carta, então, Paulo afirma algumas características da Palavra de Deus, afirmando que ela é útil para:

  • O ensino, onde o caminho correto é apontado, e o padrão de santidade revelado.
  • A repreensão, pois, quando nossos caminhos divergem do que foi exposto na Palavra, vemos a diferença entre o certo (demonstrado no tópico acima) e o que fazemos de modo equivocado.
  • A correção, já que após identificar o caminho correto e reconhecer o erro, devemos nos prostrar à Palavra e moldarmos nosso estilo de vida à Ela.
  • E por fim, a educação na justiça, onde prosseguimos para o alvo, aprendendo a dar um passo de cada vez, como uma criança.

Todos estes pontos tem uma finalidade. Nas palavras de Paulo, “para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra”. A única coisa capaz de transformar nossos corações e nos moldar em “verdadeiros cidadãos do céu” é a Palavra de Deus. Não há salvação, redenção, transformação, mudança de caráter sem as Sagradas Escrituras.

Espero, amado leitor, que tenha conseguido lançar alguma luz sobre estes versículos estudados. É natural que este texto não pode ser chamado de um estudo aprofundado, mas oro ao Pai para que cada ponto aqui comentado esteja gravado em nossos corações deste dia em diante.

Sob a Graça,

Daniel Rodrigues Kinchescki

O Passo a Passo da Vida

”E o menino crescia, e se fortalecia em espírito, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele.” Lucas 2:40

“Tudo tem seu tempo determinado” – é assim que Salomão dá início ao terceiro capítulo do livro de Eclesiastes, e é da mesma forma que pretendo começar este texto.

Há pouco tempo, fui convidado, por uma amiga, para ministrar a adolescentes sobre a importância de se observar os benefícios de cada faixa etária. Pois, infelizmente, nem sempre nos contentamos “onde” estamos: quando crianças ansiamos em crescer e, quando adultos, sonhamos com os tempos perdidos na infância. Este texto é o resultado de algumas considerações que anotei para a aula em questão.

Em primeiro lugar, gostaria de citar nosso Mestre, como exemplo, de quem soube aproveitar cada instante do seu tempo, mesmo quando criança. Sei que é difícil, mas precisamos lembrar que Cristo “a si mesmo se esvaziou” (Fp 2.7) ao ponto de que, quando Deus se fez carne, o fez na forma de um embrião no ventre até que fosse um adulto pregado à cruz. O ponto é: Jesus foi um bebê dependente dos cuidados de sua mãe; cresceu, tornou-se uma criança, um adolescente, jovem e, aí, adulto. Entretanto, se observarmos Sua história, veremos que não atropelou as faixas etárias, conforme nos mostra o texto do evangelho de Lucas, acima exposto.

Mesmo sendo apenas um adolescente, com aproximadamente doze anos de idade Jesus já tinha noção de sua missão como Filho de Deus (Lc 2.49), e estava disposto a comprometer-se com a obra de Seu Pai. Era um aluno responsável, dedicado e esforçado. Assim, vemos que no exemplo de Cristo, as marcas da infância e adolescência, contextualizadas aos nossos dias, devem ser o constante aprendizado sobre a base da fé cristã, bem como obediência aos pais e submissão aos princípios bíblicos.

Cito novamente, “há tempo para todas as coisas”. Quando na juventude, precisamos entender que nosso papel é nos prepararmos para a vida adulta – buscarmos alimentos espirituais mais sólidos, bem como uma profissão e, se for o caso, amadurecimento para um possível casamento. Outra vez, vemos em Cristo o exemplo para estes dois primeiros pontos que citei. No evangelho de Marcos (Mc 6.2-3), quando Jesus está ensinando nas sinagogas, os judeus se perguntam quem Ele era, fazendo menção de Sua família e profissão. Ainda, não apenas em Cristo, mas nos apóstolos também (Mt 4.18-22), vemos que a busca por uma profissão, o sustento, é algo que caracteriza a juventude e fase adulta.

Entendendo que cada fase de nossas vidas traz seus benefícios e, por consequência, suas responsabilidades, conseguiremos glorificar ao Pai com o nosso crescimento. Saber disto é de extrema importância por ser um emaranhado de informações que nos ajuda a compreender as dificuldades de cada “estação da vida”.

Não devemos, agora como adultos, cobrar de nossas crianças que sejam profissionais, ou que consigam realizar pregações expositivas dos mais diversos textos bíblicos. Devemos, entretanto, estimulá-las para que sejam obedientes aos pais, que saibam respeitar aos mais velhos, tenham noções básicas de sua fé, crença em Cristo e dedicação ao estudo.

Do mesmo modo, não podemos tratar os jovens como a infantes, que necessitam de leite espiritual, já que não suportam o “caldo grosso” da Sã Doutrina. Nossos jovens não precisam de entretenimento ou diversões para que se mantenham membros da igreja visível e fiéis ao Criador. O que eles precisam é de pregação da Palavra – que, na realidade, é indispensável a qualquer faixa etária.

Aos jovens, a Palavra é clara quando trata de conselhos e mandamentos:

“Pais, escrevo-vos, porque conhecestes aquele que é desde o princípio. Jovens, escrevo-vos, porque vencestes o maligno. Eu vos escrevo, filhos, porque conhecestes o Pai. Eu vos escrevi, pais, porque já conhecestes aquele que é desde o princípio. Eu vos escrevi, jovens, porque sois fortes, e a palavra de Deus está em vós, e já vencestes o maligno.” 1 Jo 2.13-14

“Foge também das paixões da mocidade; e segue a justiça, a fé, o amor, e a paz com os que, com um coração puro, invocam o Senhor.” 2 Tm 2.22

Observando tais pontos, que são meramente exemplificativos, conseguiremos ver um crescimento saudável em nossas crianças, adolescentes e jovens, sabendo que desenvolver-se-ão não apenas espiritualmente, mas também emocional e fisicamente.

Sob a Graça,
Daniel Rodrigues Kinchescki

Lute Pela Verdade

Quando observamos a Palavra de Deus, temos a certeza de que existem inúmeros versículos que podem nos ajudar a entender este tema, esta necessidade, de lutar pela verdade.

Mais abaixo, no decorrer deste texto, pretendo citar uma passagem do livro de 2 Samuel, que cita os “valentes de Davi”. Porém, agora, gostaria de comentar um pouco sobre o que é esta verdade defendida pelos cristãos.

Infelizmente vivemos em um mundo de relativismos, onde tudo é relativo, nada pode ser considerado absoluto, “100% certo”. Os princípios são negociados, os valores são trocados e aquilo que era errado torna-se correto. Basta olharmos para nossa sociedade atual e a compararmos com a de 30 anos atrás. Não se comentava abertamente sobre a descriminalização do aborto, por exemplo. Nesta época o próprio adultério era considerado como crime (antigo art. 240 do Código Penal, revogado em 2005). Assim, vemos que, mais uma vez, aquela velha doutrina da “Depravação Total” é ainda mais real no homem que não teme ao Senhor. Sim, o homem sem Deus é mau.

Entretanto, querido leitor, você pode estar se perguntando “o que isso tudo tem a ver com o título do texto?”. A resposta é simples: somos chamados para defender alguns valores absolutos, imutáveis. Estes princípios nós encontramos em um lugar: na Palavra de Deus, que é a Verdade. Entenda: ainda que o ser humano mude e não considere errado aquilo que na bíblia é exposto como pecado, se Deus abomina, deve ser abominável aos nossos olhos também.

Como eu já disse, o mundo mudou. As coisas mudaram, os tempos passaram. Vemos realmente que a Palavra de Deus tem deixado de ser o padrão da sociedade, como era no passado. Infelizmente existem homens e mulheres que, disfarçados de cristãos, tentam crentes sinceros para que cometam pecados horríveis, como nós vemos no capítulo 3 da segunda carta de Paulo a Timóteo. Estas pessoas vão, sorrateiramente, lançando sementes de mentira no coração de nossos irmãos, fazendo com que cada um acredite em sua “própria interpretação da Palavra”. Com isso, um mundo de falsidade é criado, infelizmente, mesmo dentro de nossas igrejas. Frases como “não julgueis” ou, até mesmo, “só Deus pode me julgar” vão se repetindo como um mantra.

Entretanto, mais uma vez, repito: fomos chamados para fazermos a diferença. Fomos chamados para lutar pela Verdade do Evangelho.

Então, ao olhar para a passagem que citei, logo no começo do texto, desejo fazer algumas conclusões.

“E depois dele Samá, filho de Agé, o hararita, quando os filisteus se ajuntaram numa multidão, onde havia um pedaço de terra cheio de lentilhas, e o povo fugira de diante dos filisteus. Este, pois, se pôs no meio daquele pedaço de terra, e o defendeu, e feriu os filisteus; e o Senhor efetuou um grande livramento”. 2 Sm 23.11-12

A Palavra nos conta que Samá, um dos valentes de Davi, enquanto via seus irmãos israelitas se acovardarem e fugirem diante dos filisteus, ficou em Leí e lutou para defender sua terra e alimento. Uso estes versículos acima para fazer uma comparação: o “pedaço de terra cheio de lentilhas”, que era o alimento à época, com a Verdade, o Evangelho, a Palavra de Deus, nos nossos dias, que alimenta nossas almas.

Quando vemos as verdades do Evangelho sendo bombardeadas pelas falsas doutrinas, pelo ensino de demônios e por práticas antibíblicas, é nosso dever “ficar e lutar”. Devemos preservar aquilo que nos foi confiado por Deus, a forma mais íntima e pura como Ele se mostra aos Seus, que chamamos de “revelação especial”. Os ensinamentos bíblicos são eternos e imutáveis! É exatamente isso que Paulo deixa claro ao escrever:

“Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça; Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra.” 2 Tm 3.16-17

Toda a Escritura é inspirada por Deus. Isso quer dizer que tudo o que está escrito, todas as passagens, ordens, mandamentos e princípios demonstrados na Palavra são inspirados pelo próprio Criador, que é o padrão mais elevado de Santidade e Justiça.

John Piper, em seu livro que tem por título “Lutando pela Verdade”, publicado pela Editora Tempo de Colheita, nos narra a história de como Atanásio, bispo de Alexandria, defendeu a doutrina bíblica da divindade de Cristo, lutando contra seu rival chamado Ário, que alegava ser Cristo apenas uma criação de Deus Pai, e não o próprio Deus. Quando a doutrina da Trindade foi atacada, um homem ousou levantar-se e defender o que era – e ainda é – certo e absoluto.

Amado leitor, meu desejo neste texto é de lhe encorajar a lutar pela Verdade. Ser cristão é tomar partido e dizer “eu lutarei pelo Evangelho, custe o que custar!”. Tudo o que a Palavra afirma ser pecado será considerado assim, aos olhos de Deus, para sempre. Da mesma forma, o que a Palavra enfatiza ser correto e justo, o será para sempre também, já que o padrão moral de tudo é Deus, e no Senhor não há sombra, nem variação (Tiago 1.17).

Lute pela Verdade!

Lute pelo Evangelho!

Não se dobre ao sistema mundano!

Sob a Graça,

Daniel Rodrigues Kinchescki.